sábado, 2 de agosto de 2008

Memórias

Pois, parece que já estamos em Agosto... assim em modo de homenagem às férias de anos passados, e como não arranjei vídeo de jeito, deixo apenas a música. aqui

Enjoy ;)


LIBERDADE

De olhos fechados, deixo que a lembrança me leve até a uma estrada secundária perdida no coração do Alentejo. Viajo sozinha. O dia está quente, o sol a pique, as janelas do carro vão as duas abertas e o vento queima e sacode-me os cabelos enquanto guio, talvez mais depressa do que deva mas não tem perigo, não se vê vivalma a esta hora, já há muito que não me cruzo com outros carros.

Tenho a linha do horizonte pela frente, a perder de vista, acelero em direcção ao azul como se a qualquer momento o carro fosse levantar voo, garanto que se isso acontecesse eu não ficaria assustada, antes pelo contrário, far-me-ia sorrir um grande sorriso aberto e continuar em frente pelo puro prazer de conduzir.

O volume do rádio vai no que eu chamo de máximo aceitável, que é o mesmo que dizer muito alto, mesmo naquele ponto antes do som começar a sair distorcido. Eu canto a plenos pulmões, uma canção atrás da outra enquanto a cassete vai rodando. Era uma daquelas que tinha lá por casa e raramente ouvia, nem sei porque é que veio. Destoa no meio da colecção escolhida cuidadosamente para estes próximos dias. Quando me calo fica o sorriso estampado de orelha a orelha, até começar a cantar novamente.

Os campos estão secos, amarelos côr de terra. Ao longe vejo uma ave de rapina, única criatura viva para além de mim, nos últimos kilómetros. Bichinho corajoso, penso, também deve andar à procura de alguma coisa, para voar com este calor. Talvez se encontre e voe apenas pelo prazer como eu. Cheira a campo, o cheiro a pó da terra quente. Cheira a liberdade.

§

5 comentários:

Azelpds disse...

Bem, por aqui ainda se está algo longe das férias, mas gostei muito da imagem e viagem que o teu texto descreve, e pouco faltou para fazer uma dessas neste fds. A vontade era muita. +_+

Curiosamente, o texto quase que o sinto também como se fosse uma história paralela à de algumas pesonagens minhas. :)

Sofia disse...

Thx :)
§

Sofia disse...

Alô! Estou VIVA!
Semana algo complicada esta, gostava de já ter respondido convenientemente mas...

Sobre a tua viagem no fds passado, devias tê-la feito! É simples: 6ª à noite pegas no mapa de estradas, traças um destino, Sáb acordas fresco e descansado, atestas o depósito e arrancas... tenta não escolher um destino muito longe senão Dom à noite, quando estiveres de volta, vens cansado! ;)

Acredita que é libertador, refrescante e quase sempre fascinante. O nosso país é deslumbrante :)

Sobre o texto, a personagem sou eu e a viajem descrita foi mesmo real. Continuo a ter uma dificuldade tremenda em escrever prosa ficcionada. E sim, anda perto de algumas personagens tuas, percebes agora quando falo de identificação em alguns textos teus? Mas vou continuando a tentar, há tantas elas/eles em mim que posso sempre "baralhar e voltar a dar" Um dia destes ainda apareço aqui com um ego que ninguém reconhece ou associa. a troca de género facilita bastante o processo, já reparei que é um dos recursos que utilizas frequentemente. Talvez tente em breve ;)

Obrigado mais uma vez pelas palavras simpáticas :)
§

Azelpds disse...

Hello. :p

Tenho de fazer mais viagens dessas tenho. :)

O texto na altura tive essa sensação de seres tu, mas gostei da descrição na mesma, sendo ela ficção ou não, e isso é que importa no fim. :p

Fico à espera desse ego misterioso então. ;)

Orlando Gonçalves disse...

Oi miga. Apanhei o Mundo de Sofia e vou lêr aquilo que fores publicando. Sabes que quanto à musica não será bem a do meu gosto, mas vou escutando. Neste dia em que recordo os mortos de um acontecimento horrivél e que mudou o mundo, a minha viagem foi ao encontro dessas memórias, daqueles que não souberam o porque da sua morte. A minha viagem vai até junto daqueles que hoje ainda sofrem (63 anos passados) as mazelas da Bomba. A minha memória hoje viajou para bem longe. Espero que a paz chegue um dia ao nosso planeta e que os homens maus ardam no inferno. Não às armas nucleares.
Um beijo muito grande deste teu amigo e camarada
Orlando